Muitos falam sobre a falta de amor no mundo, clamam pela falta de afeto, mas frequentemente deixam passar despercebidos os sentimentos que se acumulam e se escondem, aprisionados dentro dos próprios corações. O amor não anda em falta. Muitas vezes, ele apenas permanece trancado, esperando uma coragem que nunca chega.
Eu, particularmente, não costumo ser uma mera observadora de emoções. Sou de transbordar sensações. Tenho essa mania quase incurável de colocar meus sentimentos para fora. Faço parte do time do “eu te amo” sincero, mas nunca econômico. E isso vale para todos os tipos de amor. Amor de amigo, amor de parente, amor de quem chega para ficar ou simplesmente para marcar uma história. Amor é amor. Sem restrições, sem barreiras. É sempre bem-vindo, em todas as suas formas.
Mas por que tanta gente tem medo de dizer “eu te amo”? Orgulho? Vaidade? Acho que, na maioria das vezes, é o receio de se doar demais, de não encontrar um sentimento correspondido, de perder o controle.
Eu nunca compartilhei muito desse medo. Até porque, convenhamos, quem me conhece sabe que perder a chave de casa, os óculos, o freio, as rédeas… faz parte da minha vida quase tanto quanto respirar. (Risos.)
Brincadeiras à parte, talvez a raiz desse medo esteja na falsa crença de que um “eu te amo” precisa, obrigatoriamente, ser seguido por um “eu também”. E isso não faz o menor sentido. Expressar o que sentimos nunca deveria significar exigir que o outro sinta exatamente a mesma coisa ou, pior ainda, que seja obrigado a declarar isso na mesma hora.
Às vezes, enquanto você está pensando em amor, a outra pessoa está pensando em brigadeiro. E, cá pra nós, isso é perfeitamente compreensível, né não?
Para mim, dizer “eu te amo” pode até ser um presente para quem escuta, mas é ainda mais importante para quem diz. Acho que precisamos parar de viver à espera da resposta e entender que a beleza está justamente em ter coragem de sentir sem negociar o sentimento.
E quem disse que toda resposta precisa vir em palavras? Ela pode chegar em um sorriso que ilumina o rosto, em um beijo demorado, em olhos marejados, em um abraço apertado de braços sinceros, em um gesto de cuidado, em alguém que permanece quando poderia ir embora. Às vezes, o amor fala baixinho. E, curiosamente, é quando ele mais grita. Como diz uma música do Extreme que adoro desde sempre: More Than Words.
Porém, apesar dos gestos, de fato, dizerem muito, as palavras também têm o seu poder. Elas libertam sentimentos que, se permanecessem presos, jamais seriam vividos.
Por isso, eu não tenho medo de dizer “eu te amo”. E acho que amor não foi feito para mofar dentro do peito.
Foi feito para encontrar voz.



1 Comment
Soneide Maria Barbosa
17 de julho de 2026 at 15:17Eu te amo, e se a resposta for um brigadeiro, estou no lucro.😋😋😋 Sucesso sempre, minha Lu . ❤️